Pensamentos
Uma segunda voz
Na semana passada, a imprensa comentou sobre o projeto do núcleo Corpo Rastreado, que disponibilizou um audioguia para as pessoas revisitarem a Avenida Paulista (em um novo contexto).
Conhecendo com mais calma a ideia do projeto, simpatizo muito com a ideia que permite a participação de uma segunda voz, um segundo olhar que se instala, que sentimos vir de dentro e desvia os nossos olhos e sensações para coisas que não estamos acostumados a perceber.
O trunfo do projeto pra mim é despertar algo que os planejadores - e todas as pessoas - devem buscar com frequência:
A possibilidade de ouvir esta segunda voz, que distrai, que questiona, que viaja, que encontra novas referências, novos cruzamentos, novas traduções para as informações a que estamos expostos - sejam imagens, gestos, vozes. É essa segunda voz que costumam chamar por aí de intuição.
Ouça ela sempre que puder e se permita enxergar além. Afinal, no pior dos casos, o resultado será um ponto de vista original sobre as coisas.
Rafael Mendonça
Recalculando expectativas
Clarice Lispector já dizia: “O que se faz depois que se é feliz?”
Achei interessante como ela fala da importância da coragem e da teimosia em estar ali todos os dias, em comparecer para fazer o seu trabalho se preocupando apenas com o que se tem controle sobre. Eu acredito que vai um pouco além. Mais do que coragem, é preciso generosidade. Generosidade com você, com seu tempo e com a sua vontade genuína em fazer tudo sempre melhor.
O vídeo é um pouquinho longo, mas acho que vale a pena assistir!
Trocando o layout

Nos últimos tempos, nosso quadro imaginário de ‘funcionários do mês’ não tem mudado: os designers estão la, mês sim, mês não.
Estamos conseguindo realizar coisas que nem imaginávamos ser possível, e cada vez mais aumentamos o nível e a exigência para os próximos trabalhos. Acho que para alcançar este estado, além dos nosso brilhantes profissionais, destaco duas razões:
- Estamos aprendendo cada vez mais a utilizar o design, como pensamento sensorial, para contar nossas histórias.
- E nos movimentando para mergulhar em novas referências que podem inspirar nossas criações.
E uma coisa já percebi, não há regras pra buscar referências. Não se prenda àquele blog do seu reader para encontrar soluções, as melhores referências acabam sendo aquelas menos prováveis.
Que tal, por exemplo, esquecer o power point e contar sua história utilizando apenas…areia?
Pense nisso, e sinta-se aberto para compartilhar novas referências.
Rafael Mendonça
Vivendo Arquitetura

Um dos livros mais interessantes que li sobre arquitetura é o ‘Arquitetura da Felicidade’, escrito pelo filósofo francês Alain de Bottom. Talvez por ser algo que vá muito além da arquitetura propriamente dita. Na verdade é quase um estudo sobre a percepção que as pessoas tem sobre as construções. Por que somos atraídos por certo tipo de arquitetura? Por que achamos certas casas feias ou bonitas? Para ele, se você acha um prédio feio, é porque você não consegue se imaginar sendo feliz morando nele. “Beleza é a promessa de felicidade”.
O autor critica também a falta de estilo arquitetônico no nosso mundo contemporâneo. Porque vivemos em casas que imitam estilos do passado? Ele explica isso citando um filósofo alemão do início do século 20: “Nós nos apaixonamos na arquitetura por aquilo que não temos o suficiente em nós mesmo.” Nosso mundo parece muito bruto, tecnológico e industrial, e isso nos assusta. Arquiteturas mais simples e tradicionais, tem apelo em sociedades onde o progresso é muito rápido, onde existe uma atmosfera de confusão moral e espiritual. Então vivemos nesses estilos falsos em busca de um pouco mais de tranqüilidade. Quanto mais as pessoas percebem quão assustador o mundo real é, mais elas querem que suas casas sejam suaves e confortáveis. Talvez seja essa a razão porque afloram por aí tantos empreendimentos neo-clássicos e etc.
Porém com isso acabamos vivendo em um mundo de faz-de-conta ao invés de transformar a realidade em algo habitável. Um bom edifício deve nos reconciliar com o mundo em que vivemos, devem falar sobre um ideal moderno. E a arquitetura pode falar diretamente com nós, e pode sim nos tornar pessoas melhores.

Tentando mudar isso, o próprio Alain de Bottom criou o Living Architecture, uma organização que, em parceria com alguns renomados arquitetos atuais, constrói casas contemporâneas nos arredores de Londes, e as disponibiliza para aluguel por temporada. Segundo a organização, sua finalidade é permitir às pessoas a experiência de viver, comer e dormir em um espaço desenhado por um bom arquiteto, pois os exemplos de uma boa arquitetura na Inglaterra hoje são edifícios onde apenas transitamos, mas não vivemos.
Eu espero que essa ideia tenha muito sucesso, e que quem sabe um dia venha para o Brasil. Particularmente, eu ia adorar passar umas férias em uma casa do Marcio Kogan, Isay Weinfield, Paulo Mendes da Rocha ou até quem sabe do nosso centenário Niemeyer.
Angelo
Mais cor na vida
Na faculdade de Arquitetura a gente aprende muito sobre o significado das cores, e como elas influenciam a vida das pessoas. E eu acredito que quem vive rodeado de cinza tem uma visão diferente de quem vive em um mundo com um pouco de cor (sem trocadilhos).
Em março desse ano, uma empresa de tintas lançou o projeto Let’s Colour, onde comunidades se unem para pintar escolas, ruas, casas, bairros, trazendo mais cor para os lugares onde moram. A primeira parte desse projeto fez isso em uma comunidade nos arredores de Paris, Londres, Rajasthan na India, e nas escadas da Lapa, no Rio de Janeiro.
Em outro projeto semelhante, intitulado Favela Painting, dois artistas holandeses Dre Urhahn e Jeroen Koolhaas (filho de um dos meus arquitetos favoritos, Rem Koolhaas), fizeram intervenções na Vila Cruzeiro, também no Rio de Janeiro, ajudados pela comunidade local. O resultado é estimulante.
Eu sei que tem muitas outras coisas pra melhorar nesse mundo, mas um pouco de cor pode resultar em algo muito maior do que a gente imagina!
Deixo aqui no final o lindo vídeo do projeto Let’s Colour com música do Jónsi (um espetáculo a parte) como inspiração para um fim de semana mais colorido!
Angelo
Whatever Works
Depois de cinco anos filmando na Europa Woody Allen volta à gravar em Nova Iorque, seu cenário mais familiar e bem resolvido. Confesso que fui com poucas expectativas ver Whathever works, especialmente pela classificação comédia, mas acabei surpreendida.
Larry David (ex-roteirista da serie Seinfeld) interpreta Boris, um suicida fracassado, mal-humorado e hipocondríaco, que chegou a ser indicado para um Nobel em fisica (que não ganhou). Uma noite chegando em casa encontra Melody (Evan Rachek Wood) na sua porta, uma adolescente desabrigada que fugiu da casa dos pais em Mississipi. Boris a deixa ficar até que se reerga financeiramente.
A partir daí as coisas começam a acontecer de um jeito surpreendente, mostrando que na atualidade em que vivemos não há mesmo mais como assegurar longevidade ou invulnerabilidade dos sentimentos. Estamos livres para mudar de idéia, de amores, de profissão, de marcas, produtos.
O livro Amor liquido do sociólogo polonês Zigmunt Bauman já sugeria esta idéia da liquidez nas relações, além da urgência absoluta dos cidadãos pós-modernos em viver um relacionamento plenamente satisfatório. A sensação do amor nos dias de hoje é contraria a liquidez nas relações bancarias. Nada mais é para sempre.
Na falta de padrões precisos e duradores, a incerteza se instala em todos os campos da interação humana. Nós temos certeza por um tempo sobre alguma coisa, mas tudo sempre pode mudar.
O roteiro original de “Tudo Pode Dar Certo” foi escrito em 1977, mas resgatado recentemente devido à greve de roteiristas e atores em 2008 e 2009. De qualquer forma, tudo ficou muito atual e bem contextualizado à idéia central: “Agarre qualquer chance de felicidade que passar por você, pois no final tudo pode dar certo”. Pelo menos por enquanto. Whathever works.
A Copa da Tecnologia

Os jogos do Brasil na Copa do Mundo terão transmissão 3D em salas de cinema do país. A Rede Globo, Fifa, Cinemark e Golden Goal fecharam um acordo que viabiliza a transmissão em 3D dos jogos do Brasil na Copa do Mundo Fifa 2010, grantindo a exibição de oito jogos para o mercado nacional em 25 salas de cinema da Rede Cinemark.
A BBC anunciou durante o Mobile World Congress, em Barcelona, que irá transmitir jogos da Copa do Mundo de 2010 em iPhones. A transmissão acontecerá por meio de um aplicativo gratuito que já está disponível na App Store.
A Cisco e a ESPN anunciaram uma parceria para transmissão de eventos - ao vivo e gravado de partidas e entrevistas - por meio de uma ferramenta chamada TelePresença, que envia áudio e vídeo em alta definição por meio da infra-estrutura de banda larga da Cisco existente na sede do torneio.
Para assistir as partidas online, as duas opções mais conhecidas são os sites Justin.tv e Ustream.tv, que são largamente usados hoje para assistir diversas partidas de futebol do mundo inteiro. Além desses, você pode tentar também nos sites livestream.com, stickam.com, kyte.tv, blogtv.com ou ainda no twitcam.com.
No Japão, já se fala em transmitir partidas de futebol por holografia – não apenas pela TV, mas também dentro dos estádios.
O país, que deseja sediar o torneio em 2022, disse à FIFA que, caso seja escolhido, oferecerá tecnologia para o mundo inteiro assistir os jogos em projeções holográficas. Na prática, nós brasileiros poderíamos ir ao Maracanã e acompanhar os jogadores correndo pelo campo, em tamanho real, como se eles estivessem lá mesmo.
E aí? Você vai ver a Copa pela TV ou TV é coisa do passado?
Maeda
Se vira nos 5
Um dos grandes desafios do nosso trabalho é sintetizar toda a riqueza que descobrimos no campo, conversando com as pessoas, numa apresentação. São tantos detalhes, tantas sutilezas que às vezes ficamos muito apegados e é difícil ter poder de síntese. Pensando sobre isso, durante uma conversa descobrimos várias referências como o twitter do Shakespeare (onde tem o resumo de suas obras em 140 caracteres), os 5 seconds films e os movies in 5 seconds.
Apesar de grande parte serem brincadeiras, fica a dica pra todo mundo ver como é possível ser sucinto.

movies in 5 seconds
todos@corinovacao
O Jornal do Futuro

Sou assinante da Folha de São Paulo e ao mesmo tempo estudo os diferentes canais de mídia nos projetos que a CO.R desenvolve para seus clientes. Este post é sobre a estratégia de mudanças da Folha ao se reposicionar como “o jornal do futuro”.
Domingo chegou aos seus leitores a nova proposta editorial da Folha, depois de uma campanha teaser que criava expectativas para mudanças na estética e conteúdo desse jornal que pudessem credenciá-lo como uma mídia que, mais do que retratar o presente, pudesse olhar para o futuro.

Tanto eu como muitas pessoas com as quais conversei esperaram o novo jornal. Boa campanha, conseguiu colocar holofotes na mudança e gerar curiosidade.
Quando ele chegou no domingo, fui correndo ver como me sentia em relação a ele. A expectativa tem este lado: ela precisa ser correspondida.
Meu sentimento foi muito positivo como leitora ou estrategista, a começar pelo texto do Otávio Frias Filho, já que todos sabemos que toda mudança , para realmente acontecer, precisa começar no coração e nas crenças dos mentores das empresas e de dentro para fora… Tudo o que ele escreve é muito o que acredito sobre a relação das pessoas com a mídia nesse momento:
nos projetos que a CO.R realiza, notamos que as pessoas não se cansaram do jornal, do rádio ou da revista. Toda forma de consumo de mídia tem sua graça, seu espaço, seu papel e seu romantismo na vida das pessoas. A questão é que realmente a linguagem digital (também como fala o Otavio) provocou uma real mudança no cenário da mídia impressa: já que o número de opções aumentou enormemente, seja com o crescimento dos títulos customizados ou com a entrada das mídias digitais, o tempo ficou mais curto. Assim, aumenta a importância do conteúdo – e sua relevância para a vida do leitor – para que o título continue ou passe a fazer parte do cotidiano das pessoas. É isso: a questão não está simplesmente na forma e sim principalmente na relevância do conteúdo, na necessidade de cada título ter um propósito para seus leitores.
Vários sinais editoriais são perceptíveis na Folha do futuro como novos colunistas (curadores do ilimitado conteúdo disponível em inúmeras linguagens diferentes), sua diagramação e fonte, algumas mudanças de cadernos ou nomes de cadernos e a intenção de promover uma fusão orgânica entre a plataforma digital e o papel, onde o conteúdo é o foco dos profissionais, como diz Sergio D’Ávila, o editor executivo da Folha no vídeo criado a respeito das mudanças do jornal.
Assim, no domingo, ao acabar de ler a Folha eu admirei toda a história conduzida pela marca mas especialmente o último parágrafo do texto do Otávio Frias Filho, onde ele fala que o início de toda mudança bem sucedida é um conjunto de atitudes: reconhecer nossos pontos fracos, desejar melhorar sinceramente e ter coragem de arriscar. Vai ai nas próprias palavras desse jornalista primoroso, que eu já admirava e passei a admirar ainda mais:
“…é preciso ter a humildade de aprender. Reconhecer que os jornais são muitas vezes cansativos, previsíveis, prolixos, distantes, redundantes, parciais, cifrados para o leigo e superficiais para o especialista. Será preciso, ao mesmo tempo, desejo sincero de melhorar, experimentar, arriscar. Com a reformulação implantada hoje, este jornal tenta dar mais um passo nessa direção.”
Rita Almeida
crédito da imagem: http://www.flickr.com/photos/applegreenamy/2219407764/in/photostream/
Máquina de captar pensamentos
Tá, todo mundo já quis ter poderes de ouvir pensamentos de pessoas próximas.
Nós que estudamos comportamento, tentamos captar esse pensamento de inúmeras formas: falas, gestos, sorrisos, desenhos, fotografias. Mas ainda assim, não temos este poder secreto.
Muitas empresas tem perguntas-do-milhão como “no que as pessoas acreditam? o que elas amam? o que odeiam? o que pensam sobre a vida e as coisas?”
No meio dessa reflexão, conheci um site muito simpático, o ‘twistory‘ que não nos dá exatamente o poder de ouvir pensamentos, mas até que chega perto. Ele compila informações reais postadas no twitter e organiza de uma maneira muito simpática. Sensação garantida de onisciência ou seu dinheiro de volta. Use com moderação.


Rafael Mendonça






