Brasil
Fatto a Mano
Passeando pela Feira Brique no Parque Redenção em Porto Alegre, econtramos uma barraquinha de máscaras de commedia dell’arte. A commedia dell’arte surgiu entre os séculos XV e XVI na Itália em oposição à comédia erudita. Suas apresentações eram feitas pelas ruas e praças públicas, as companhias eram itinerantes e possuíam uma estrutura de esquema familiar. A ação cênica ocorria no improviso dos atores/autores que seguiam apenas um roteiro, chamado “canovacci”, possuindo total liberdade de criação. Os personagens eram fixos, e muitos atores desta estética de teatro viviam seus papéis até a morte.
Os personagens da commedia dell’arte se dividiam em duas categorias: patrões ou criados. Aqui na foto representamos o Pantaleão (narigudo), um comerciante idoso e avarento e o Arlequim, um servo astuto e ignorante que estava sempre envolvendo as pessoas em confusões. As máscaras de couro feitas a mão nos levaram ao passado distante da commedia dell’arte e a um passado não tão distante assim, de quando realmente se encontrava artesanato numa feira de artesanatos.
Maeda e Vanessa
Vale a pena ouvir de novo
Acordamos com um lindo dia de sol depois de tantos dias de chuva. Decidimos aproveitar a dica de um taxista e fomos ao famoso Parque da Redenção, também conhecido como Parque Farroupilha, ou Brique, aqui em Porto Alegre. Aos domingos acontece uma feira que reúne muitas pessoas comuns, mas também artistas que viram estátua e pequenas famílias indígenas que vendem seus artesanatos e cantam musicas típicas em seu idioma. Além disso, ha um placo com musica ao vivo e diversos cantinhos para comer ou beber alguma coisa.
De repente, no meio de uma conversa e outra encontramos um acervo de discos em vinil ao ar livre. Era mesmo impressionante! Tudo arrumadinho por ordem alfabética e “gosto”. Lá estavam as relíquias infantis, Edith Piaf, clássicos da musica nacional, Pink Floyd, Bod Dylan e claro os imperdíveis Lp’s das novelas brasileiras. Foi um passeio no tempo! Lembramos dos discos que tínhamos em casa, dos grandes sucessos e das loucuras de cada época.
Enquanto ficamos ali vimos pessoas de todas as idades também entusiasmadas com tudo aquilo. Era fascinante ver as expressões de surpresa e o desejo de levar um disco pra casa. Realmente a feirinha merece ser visitada, pois como nos disse o taxista: “vale a pena porque vende de um tudo por lá!!!”
Maeda e Vanessa
Mais cor na vida
Na faculdade de Arquitetura a gente aprende muito sobre o significado das cores, e como elas influenciam a vida das pessoas. E eu acredito que quem vive rodeado de cinza tem uma visão diferente de quem vive em um mundo com um pouco de cor (sem trocadilhos).
Em março desse ano, uma empresa de tintas lançou o projeto Let’s Colour, onde comunidades se unem para pintar escolas, ruas, casas, bairros, trazendo mais cor para os lugares onde moram. A primeira parte desse projeto fez isso em uma comunidade nos arredores de Paris, Londres, Rajasthan na India, e nas escadas da Lapa, no Rio de Janeiro.
Em outro projeto semelhante, intitulado Favela Painting, dois artistas holandeses Dre Urhahn e Jeroen Koolhaas (filho de um dos meus arquitetos favoritos, Rem Koolhaas), fizeram intervenções na Vila Cruzeiro, também no Rio de Janeiro, ajudados pela comunidade local. O resultado é estimulante.
Eu sei que tem muitas outras coisas pra melhorar nesse mundo, mas um pouco de cor pode resultar em algo muito maior do que a gente imagina!
Deixo aqui no final o lindo vídeo do projeto Let’s Colour com música do Jónsi (um espetáculo a parte) como inspiração para um fim de semana mais colorido!
Angelo

Eu adoro carnaval, e nos últimos 5 anos marquei presença no sambódromo do Rio. Acompanho todas as escolas, sei quem sobe e que desce, torço muito e vou com todos os enredos na ponta da língua. A avenida é um lugar mágico e encantador, e só quem se envolve com a história consegue realmente aproveitar o que acontece ali.
Pois bem. Até semana passada eu estava crente que o samba nascia na Bahia, passava pelo Rio e morria em São Paulo. Não é tão verdade assim.
Fui ao Rio Grande do Sul fazer um projeto, e durante as andanças, descobri a força do Carnaval de Uruguaiana, um município gaúcho que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai. Surpreendentemente a festa acontece em março, e esse foi o jeito que eles encontraram de profissionalizar os desfiles: depois da tarefa cumprida no Rio, os trabalhadores do carnaval aproveitam as férias para “freelar” no sul do Brasil.


Pra mim esse é um grande exemplo de que ser brasileiro é muito mais uma questão sentimental do que política, e que a nossa identidade nacional se compõe naturalmente com o que é característico da vocação regional.
Nosso samba, quem diria, hoje tem uma gingada germânica e um pouquinho do sotaque espanhol.
Bruno
Finlândia no Brasil
Semana passada estreou em São Paulo a exposição estrelas do design finlandês no Instituto Tomie Ohtake. A exposição conta com uma série de acontecimentos na cidade relacionado ao design e à cultura finlandesa durante o mês de março.

A exposição mostra, a longo de mais de 200 obras um pouco da história e dos grandes nomes que fizeram da Finlândia referência em design. Acho que depois de dar uma olhada nos trabalhos de Alvar Aalto, Eero Arnio e Maija Isola se pode entender como esse país conseguiu construir sua identidade em torno do design e como ele está presente e influenciou direta e indiretamente nosso dia-a-dia. Além disso, é com certeza um passeio inspirador no meio do dia! Aliás, quem for lá ver, me conta depois! =)
ESTRELAS DO DESIGN FINLANDÊS
11 março a 9 maio 2010
Terça a domingo, das 11 às 20 horas
Mais informações no site do Instituto: http://www.institutotomieohtake.org.br/
Gabriel Kalup
CO.R na Rua às 5 @Brasília

Ou melhor, CO.R no Bar. E se é pra entrar de verdade na vida do target, por que não aceitar o convite para uma partidinha de sinuca com eles?

Rafael Mendonça
Protesto!

Recentemente fazendo um trabalho sobre a classe C, conversei com uma menina de 22 anos sobre responsabildiade sócio-ambiental. (Não com essas palavras chatas, claro.) Ela me contou que não se preocupava em cuidar do meio ambiente até sua casa ser alagada: “Descobri que tem muito a ver com o lixo que a gente joga na rua, agora vou procurar cuidar mais”. Aqui em São Paulo está sendo veiculada uma propaganda que visa educar a população a não jogar lixo na rua - tão “realista” que o Edson Celulari dá autógrafo dentro do ônibus…
Sempre soube que São Paulo não era a cidade-modelo em limpeza. Mas quando cheguei aqui percebi que é ainda pior: encontrar lixeiras pelas ruas de São Paulo é uma missão quase impossível! (Para lixo reciclável então…) Ou seja: se você não foi muito bem doutrinado a caminhar quilômetros com um lixo na mão até encontrar uma lixeira, o lixo acaba no chão mesmo.
Pior: hoje almocei no Shopping Vila Olímpia e descobri que tem tantas lixeiras quanto nas ruas - a gente anda, anda, anda e nada de encontrar uma! Fora a lixeira da praça de alimentação, que não separa orgânico de reciclado.
São Paulo, mais do que nunca, sofre as conseqüências de tamanha irresponsabilidade. Se já é um absurdo uma cidade tão cosmopolita ainda ser tão retrógrada nesse sentido, pior é perceber que as pessoas e estabelecimentos comerciais ainda aceitam como se não fosse um ultraje.
Bárbara Bufrem
(Fonte da imagem)
Depois da febre do temaki…

Há alguns meses publicamos um post sobre modismos gastronômicos e, entre eles, falamos da febre do Bentô Box nos EUA. Pois bem, não é que no último fim de semana foi inaugurado um novo restaurante no Rio chamado Bentô? A ideia é a seguinte: há 50 opções de sushis, sashimis e afins para você escolher e montar sua bandeja com 4 caixinhas por R$ 22,00, no esquema fast-food. O Bentô emprestou para cozinha japonesa a informalidade carioca em grande estilo. Além do conceito inovador, a programação visual rompe com os códigos do universo japonês e é bem cool. Dá vontade de levar para casa a bandeja, mais um trabalho legal da Tátil Design. (Para quem quiser conhecer, o Bentô fica na Aníbal de Mendonça, a uma quadra da praia.)
Beijos de Ipanema,
Mariane e Paula
Tradição sobre duas rodas

Recentemente eu estava trabalhando em Porto Alegre quando parei pra conversar com um menino de aproximadamente 24 anos que estava sentado em cima de sua moto. Sua profissão: motoboy.
No vai e vem da conversa, ele sempre muito educado, começou a me contar que era casado há 4 anos e que conheceu a esposa no CTG (Centro de Tradição Gaúcha) e que existem CTG’s em todo o Brasil e também no exterior como Estados Unidos e Portugal.
Freqüentador assíduo ele enchia-se de brilho e orgulho pra contar que uma vez passou a semana toda trabalhando de bombacha, que para quem não conhece é o traje oficial dos gaúchos desde 1989 e substitui as roupas sociais que costumamos ver por aqui como ternos e gravatas. Você pode imaginar um motoboy rodando pela cidade assim?

Pois é, quem já foi ao Rio Grande do Sul sabe que a cultura e a tradição gaúcha são muito fortes por lá, deu pra ver que é algo que vai muito além do famoso chimarrão.
Vanessa G.
Baladas etnográficas: episódio Woods Bar
Pode uma balada mudar a cultura musical em uma capital? E se essa cidade for Curitiba, o público classe A e a cultura sertaneja? Se ela tiver uma função na vida dessas pessoas, sim.
E o público sabe muito bem que função é essa: “Beber, cair e levantar!”. O que isso quer dizer? Que é um lugar aonde ninguém vai para fazer pose, mas para extravasar! Uma balada com função de catarse para os curitibanos - conhecidos por serem mais “frios”, “fechados” e excessivamente preocupados com a imagem (estética e social).
Uma balada que começou de brincadeira em um churrasco entre amigos na faixa dos 20 anos que queriam uma balada sertaneja que fosse a cara deles. Hoje, mais do que uma balada, o Woods tornou-se um negócio de gente grande e uma filosofia de estilo que nasceu em Curitiba (PR), foi para Balneário Camboriu (SC) e até o final do ano estará em Brasília (DF) e São Paulo (SP). Prova que quando uma marca tem uma função na vida das pessoas, merece fidelidade, pode romper limites geográficos, culturais, de valores, preconceitos e, mais do que consumidores, ela ganha adeptos, defensores, apaixonados.
Bárbara Bufrem









