A geração da troca

A ideia deste texto é provocar algumas reflexões sobre uma pergunta que já se tornou um clichê: “Qual é a causa da juventude de hoje?
Para começar, vamos olhar para o topo da pirâmide, um recorte bastante estereotipado. O perfil é o seguinte:

Já temos informação suficiente para presumir que se trata dos “mauricinhos”, “filhinhos de papai”, apreciadores da futilidade, da vida fácil e dos bens materiais. Essa fatia da juventude já é formadora de opinião, e tem grande potencial de estar, em breve, na liderança do país. É exatamente esta faixa que preocupa os mais críticos que insistem em taxar a juventude atual como apática, vazia, egoísta e desprovida de sonhos.
Pois é, mas há algum tempo tenho evitado ao máximo fazer este tipo de distinção. São jovens exigentes, sim, que enxergam o luxo como um meio de trazer o conforto que estão acostumados, mas não necessariamente como um fim – uma premissa de vida.
Talvez o “vazio” não esteja dentro deste jovem, mas no mundo que ele encontra aí fora. E uma das formas que tenho observado alguns destes jovens preencherem suas vidas é através da troca. Enquanto “possuir” é algo estático, “trocar” é movimento, transformação.
Já que a internet derrubou as barreiras do tempo e conhecimento, e esvaziou o valor da propriedade, a prioridade passou do “ter” para o “fazer”. Nesse ambiente, estes jovens podem e QUEREM trocar. Experiências, culturas, conhecimento, sensações e humanidade.

Aquela viagem de 7 dias para o Tahiti, e até o intercâmbio para a Califórnia (para dar aquela reforçada no inglês), estão dando lugar para novos sonhos: participar de um programa mundial de jovens empreendedores, construir casas para famílias muito humildes, monitorar crianças de dezenas de países do mundo em um “acampamento multi-cultural”, receber estrangeiros como irmãos em sua casa e até participar da reconstrução do Haiti.
Trocar significa aprender, ensinar, fazer, receber, construir, conviver, se colocar no lugar. E assim os jovens estão liderando a construção de um mundo mais plural, conectado e livre. Um mundo vazio de paredes e cheio de calor das múltiplas relações humanas.
Rafael Mendonça
Para quem se interessar, aqui alguns links das iniciativas citadas:
http://www.umtetoparameupais.org.br/
http://www.br.cisv.org/
http://www.yip.se/
http://www.couchsurfing.org/
2 Comentários to A geração da troca
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CO.R às 5
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A algum tempo atras li uma pesquisa falando sobre a geração Y, que bate examente com esse perfil passado.
Um dos pontos em comum é a questão que esta é a geração da troca de sensações.
O jovem de hoje (eu me incluo nessa), esta sempre atras de novas sensações, diferente daquilo que sempre fez.
Os que julgam essa geração como vazia, o fazem pois essa busca por novas sensações levam alguns desses jovens as drogas, a criminalidade (mesmo os mais abastados)…
Então, temos os dois lados: muitos jovens que buscam sensações que fazem bem para eles e para sociedade e outros jovens que buscam sensações somente para eles e ninguem mais, e na minha opinião é ai que mora o perigo. Egoismo.
Abraço!
Ola Rafael,
Deixo aqui o link de uma ONG que se chama AFS, que existe há 75 anos no mundo, e há 50 anos no Brasil, que é super séria e tem filosofia e postura 100% dentro do espírito da “cidadania e da troca”: http://www.afs.org.br
Fiz intercâmbio nos anos 70 e até hoje sou voluntária.
abs