Archive for junho, 2010
Fatto a Mano
Passeando pela Feira Brique no Parque Redenção em Porto Alegre, econtramos uma barraquinha de máscaras de commedia dell’arte. A commedia dell’arte surgiu entre os séculos XV e XVI na Itália em oposição à comédia erudita. Suas apresentações eram feitas pelas ruas e praças públicas, as companhias eram itinerantes e possuíam uma estrutura de esquema familiar. A ação cênica ocorria no improviso dos atores/autores que seguiam apenas um roteiro, chamado “canovacci”, possuindo total liberdade de criação. Os personagens eram fixos, e muitos atores desta estética de teatro viviam seus papéis até a morte.
Os personagens da commedia dell’arte se dividiam em duas categorias: patrões ou criados. Aqui na foto representamos o Pantaleão (narigudo), um comerciante idoso e avarento e o Arlequim, um servo astuto e ignorante que estava sempre envolvendo as pessoas em confusões. As máscaras de couro feitas a mão nos levaram ao passado distante da commedia dell’arte e a um passado não tão distante assim, de quando realmente se encontrava artesanato numa feira de artesanatos.
Maeda e Vanessa
Vale a pena ouvir de novo
Acordamos com um lindo dia de sol depois de tantos dias de chuva. Decidimos aproveitar a dica de um taxista e fomos ao famoso Parque da Redenção, também conhecido como Parque Farroupilha, ou Brique, aqui em Porto Alegre. Aos domingos acontece uma feira que reúne muitas pessoas comuns, mas também artistas que viram estátua e pequenas famílias indígenas que vendem seus artesanatos e cantam musicas típicas em seu idioma. Além disso, ha um placo com musica ao vivo e diversos cantinhos para comer ou beber alguma coisa.
De repente, no meio de uma conversa e outra encontramos um acervo de discos em vinil ao ar livre. Era mesmo impressionante! Tudo arrumadinho por ordem alfabética e “gosto”. Lá estavam as relíquias infantis, Edith Piaf, clássicos da musica nacional, Pink Floyd, Bod Dylan e claro os imperdíveis Lp’s das novelas brasileiras. Foi um passeio no tempo! Lembramos dos discos que tínhamos em casa, dos grandes sucessos e das loucuras de cada época.
Enquanto ficamos ali vimos pessoas de todas as idades também entusiasmadas com tudo aquilo. Era fascinante ver as expressões de surpresa e o desejo de levar um disco pra casa. Realmente a feirinha merece ser visitada, pois como nos disse o taxista: “vale a pena porque vende de um tudo por lá!!!”
Maeda e Vanessa
A mi me encanta el Mexico
Estou aqui na Cidade do México para entender como vivem as mulheres mexicanas, seus hábitos e costumes.

Muitas peculiaridades cercam a cultura mexicana e o Distrito Federal. Entre manifestações femininas na rua contra a ejaculação precoce (desculpem, fiquei tão em choque com esse acontecimento, que não consegui tirar foto, apenas registro aqui o panfleto da inusitada manifestação), água de cactus, bebida alcóolica com vermes e pirulitos gigantes de Tamarindo, o que ficou para mim, foi a imagem de um povo muito hospitaleiro e gentil.
Em quase todos os projetos que realizamos na CO.R, a gente acaba se encantando com uma ou outra pessoa entrevistada.
Nesse caso, não foi diferente. Ontem eu estive na casa da Marcela, uma mexicana de 42 anos que vive com sua mãe, esposo e suas filhas, Miranda (10) e Montserrat (7).
Além de costumes e hábitos que caracterizam o povo mexicano, o que vi ontem foi uma lição de força, energia e alegria.
Seja português ou espanhol, mexicana ou brasileira, jovem ou madura, classe C ou classe A, me dei conta que o fio condutor que une todos nós vai muito além dessas pequenas barreiras.
Me encantou conhecer essa mulher, sua forma de pensar, de se colocar, seu repertório e sua simplicidade… características que extrapolam fronteiras físicas e acabam revelando afinidades e desejos universais. Acho que no fim das contas, conhecer essas pessoas, nos faz crescer em repertório, em conteúdo, em vivências (literalmente) que vão além dos nossos insights.
Ontem saí dessa entrevista com um sentimento de realização, de conquista, de conhecimento e com aquela sensação de que é isso que me alimenta. Tive uma enorme vontade de compartilhar isso com vocês
(pirulito gigante de tamarindo)
(Panfleto da manifestação feminina contra a ejaculação precoce)
(Eu, protegida por um “sombrero”, segurando uma garrafa de Mezcal - a tal bebida que vem com uma charmosa larvinha dentro)
Vanessa Yadoya
“As marcas não são fiéis aos hábitos das pessoas”

Em meio a discussão sobre fidelidade do consumidor às marcas, esta frase fica na minha cabeça, querendo provocar algum tipo de faísca que bagunce meus pensamentos pra depois reorganizá-los de uma forma original. É uma provocação.
De quem é a autoria desta frase? Uma senhora de 45 anos, com valores tradicionais, principalmente em relação ao consumo.
Um paradoxo da modernidade, diriam os heavy users do power point: enquanto o mundo clama, o mercado exige a inovação das marcas, o consumidor pode não querer que elas mudem.
Há uma grande diferença entre antecipar-se e precipitar-se. Inovação não é Invenção. Invenção é algo completamente novo, a primeira geração de uma nova ideia ou produto. Uma proposta inovadora não pode ser apenas mais uma proposta nova. A inovação deve representar algum tipo de mudança relevante para o mercado, e principalmente, para a vida das pessoas - e é pra cá que as vezes não se olha. Será que o consumidor quer mudar sempre, custe o que custar?
Quem é que está deixando de ser fiel neste caso? A consumidora que mudou de opinião, ou a própria marca que ao invés de inovar, inventou, e deixou de olhar para ela?

O problema da invenção, é quando se olha apenas para a ponta do Iceberg, e se esquece que para mexer um Iceberg é preciso mover o mar. E o mar, está cheio de Marias, Anas, Terezas, Beneditas, Joãos, Josés, Paulos. É nesse mar que a inovação deve mergulhar.
Rafael Mendonça
Bem de perto
Hoje, em um desses acasos da internet, descobri um artista que, mesmo entre o mar de coisas que vemos diariamente, me chamou a atenção. Trata-se de Chuck Close, pintor e fotógrafo que talvez muitos já conheçam, mas que nunca tinha ouvido o nome. Inclusive o descobri em uma notícia sobre o leilão de um auto-retrato de Andy Warhol, embora quase metade de todas as obras leiloadas na ocasião fossem dele.
De qualquer forma, me impressionou tanto sua obra - que se enquadra no movimento fotorealista norte-americano dos anos 60 - quanto sua vida (o que talvez aconteça com todo artista que nos cativa de verdade).
Fica um pequeno apanhado de obras que abrangem grande parte de sua longa carreira e seus diferentes estilos. Mas recomendo ler um pouco de sua vida, pois faz aflorar uma nova dimensão de significados em sua obra.
Koala
Vivendo Arquitetura

Um dos livros mais interessantes que li sobre arquitetura é o ‘Arquitetura da Felicidade’, escrito pelo filósofo francês Alain de Bottom. Talvez por ser algo que vá muito além da arquitetura propriamente dita. Na verdade é quase um estudo sobre a percepção que as pessoas tem sobre as construções. Por que somos atraídos por certo tipo de arquitetura? Por que achamos certas casas feias ou bonitas? Para ele, se você acha um prédio feio, é porque você não consegue se imaginar sendo feliz morando nele. “Beleza é a promessa de felicidade”.
O autor critica também a falta de estilo arquitetônico no nosso mundo contemporâneo. Porque vivemos em casas que imitam estilos do passado? Ele explica isso citando um filósofo alemão do início do século 20: “Nós nos apaixonamos na arquitetura por aquilo que não temos o suficiente em nós mesmo.” Nosso mundo parece muito bruto, tecnológico e industrial, e isso nos assusta. Arquiteturas mais simples e tradicionais, tem apelo em sociedades onde o progresso é muito rápido, onde existe uma atmosfera de confusão moral e espiritual. Então vivemos nesses estilos falsos em busca de um pouco mais de tranqüilidade. Quanto mais as pessoas percebem quão assustador o mundo real é, mais elas querem que suas casas sejam suaves e confortáveis. Talvez seja essa a razão porque afloram por aí tantos empreendimentos neo-clássicos e etc.
Porém com isso acabamos vivendo em um mundo de faz-de-conta ao invés de transformar a realidade em algo habitável. Um bom edifício deve nos reconciliar com o mundo em que vivemos, devem falar sobre um ideal moderno. E a arquitetura pode falar diretamente com nós, e pode sim nos tornar pessoas melhores.

Tentando mudar isso, o próprio Alain de Bottom criou o Living Architecture, uma organização que, em parceria com alguns renomados arquitetos atuais, constrói casas contemporâneas nos arredores de Londes, e as disponibiliza para aluguel por temporada. Segundo a organização, sua finalidade é permitir às pessoas a experiência de viver, comer e dormir em um espaço desenhado por um bom arquiteto, pois os exemplos de uma boa arquitetura na Inglaterra hoje são edifícios onde apenas transitamos, mas não vivemos.
Eu espero que essa ideia tenha muito sucesso, e que quem sabe um dia venha para o Brasil. Particularmente, eu ia adorar passar umas férias em uma casa do Marcio Kogan, Isay Weinfield, Paulo Mendes da Rocha ou até quem sabe do nosso centenário Niemeyer.
Angelo
Vamos falar de dinheiro?
Assunto não muito glamouroso, mas importante, todo mundo reconhece.Ultimamente tenho pensado bastante na relação que as pessoas têm com o dinheiro nos seus diversos momentos de vida.
Geralmente aprendemos a lidar com o dinheiro depois que temos ele nas mãos, raramente pensamos no que ele representa antes do primeiro salário. Se o dinheiro é um instrumento, um meio para atingir uma outra coisa, o que eu quero do meu dinheiro? É uma pergunta quase impossível para um jovem responder.
Quando somos crianças o dinheiro vem de uma fonte mágica que traz brinquedos e diversão. Já no começo da adolescência queremos tudo que nos identifica com um grupo, um tipo de tênis, uma bolsa daquela marca, a camiseta do time e uma enxurrada de desejos emanam de todos os lados, outdoors e pop ups.
Ai entra o tal momento crítico do primeiro salário e do cartão de credito, aiiii que dor! Ouvi um dia desses: “Cartão de crédito é uma coisa que muda a vida de uma pessoa, e lógico que eu me endividei. As pessoas dizem cuidado com o cartão, mas ninguém fala o que acontece se você não paga, só descobri depois que me endividei até o último fio de cabelo.” Nesta época é muito comum você comprar coisas como se fosse morrer no dia seguinte. Pensar no futuro, oi? É amanhã isso?
O famoso e emblemático 30 anos batem na porta e muitas vezes com ele uma profunda reflexão sobre o futuro. E agora? Como vou ter a casa que eu quero, ter a minha família, fazer A viagem? Com quem eu devo falar para me informar sobre investimentos? E aí o dinheiro vira um problema que tenho que sair correndo atrás como uma louca. Saímos cortando tudo, parece uma dieta onde a gente sofre contando cada caloria. A corrida faz a gente perder a noção do que é prioridade e alguns chegam a ver o dinheiro não mais como um meio, mas como um fim em si mesmo.
Que tal começar a pensar um pouquinho em como você imagina sua vida no futuro para não levar aquele susto no tal dos 30 anos? Como quem não quer nada comecei a usar uma parte do meu horário de almoço para me informar, converso com alguns amigos, aquele professor da faculdade que era super ligado e o amigo do meu pai que ganha dinheiro com ações. Para saber escolher o tipo de investimento que vai me ajudar a construir o futuro que imagino é importante me informar.
Acho que as pessoas não tem que ter preconceito com o dinheiro, parece que é um assunto que é feio falar ou então é um segredo, do tipo se tiver uma dica de investimento, só podemos falar para os amigos mais próximos. Assim fica a sensação que brasileiro tem vergonha de falar que quer ter lucro.
Hoje o dinheiro para mim é em parte fonte para me divertir no presente, parte para resolver o passado (eta terapia) e parte para contribuir com meu futuro. E para você o que é o dinheiro hoje?
Isabelle
Que país é esse?
Hoje estivemos na Talent para assistir à uma apresentação sobre o novo universitário no Brasil, o universitário da classe C.
Trata-se de um belíssimo estudo conduzido pela equipe de mídia da Talent sob a batuta do Paulo Stephan, diretor geral da área na agência.
Foi um espetáculo.
O estudo, riquíssimo em informações, aponta para um novo cenário na classe universitária no Brasil e, mais do que tudo, abre uma lente sobre os ganhos que isso representa para o nosso país.
Eu saí de lá com uma sensação meio esquisita, de estar vivendo outra realidade, talvez de estar em outro país. Afinal de contas, sempre me disseram que o Brasil é o país do futuro, como se fosse uma cenourinha que eu iria encontrar lá na frente, se fizesse tudo direitinho.
E de repente, o futuro chegou. Que espetáculo!
Vamos a alguns dados que tirei do lindo livrinho que eles entregaram no final:
= o número de matriculados em universidades no Brasil cresceu 46% em 6 anos, alcançando 6,5 milhões de estudantes.
= esse crescimento deve-se à transformação e ascensão da nova classe média brasileira: a partir de 206, cerca de 20 milhões de brasileiros passaram a pertencer à classe C.
= em 5 anos, somente a grande SP ganhou 1,8 milhões de novos consumidores.
= computador e acesso à internet são prioridade nos sonhos de consumo da classe C: a posse de computadores nesta classe cresceu de 17% para 33%, em 2007.
= desde 2002, a participação de alunos da classe C nas instituições de ensino superior passou de 16 para 23%. O que representa um acréscimo de 2,1 milhões de novos alunos e consumidores.
= os sonhos dessa nova classe C vão muito além de comida e moradia, eles querem ascender no emprego e na colocação social através da educação, de uma maior qualificação, gerando portanto aumento na demanda por ensino superior.
= voltando aos universitários da classe C, seus hábitos de lazer incluem jantar fora (3o lugar), comprar em shopping (70%), viajar (73%), de avião (20%).
= 70% tem conta em banco, 55% tem cartão de crédito, 52% tem TV paga.
= Meninos e meninas declaram estar bem resolvidos com a sua sexualidade.
= 99% acreditam em Deus.
= 94% acreditam que estarão melhor no futuro.
Gostaram? Não é realmente um espetáculo o que está acontecendo: um aumento na renda familiar gera maior procura por educação que por sua vez gera maior renda.
Esses jovens não estão esperando o futuro. Eles estão vivendo esse futuro agora.
E que país é esse?
É o nosso Brasil. Vamos continuar cuidando bem dele?
Camilla Massari
A dois passos, ou mais…
Quando pensamos em venda direta de músicas, imediatamente pensamos na iTunes Store e como seu modelo de negócios de certa forma revolucionou a indústria musical. Nunca vi, no entanto, alguém que tenha citado Frank Zappa enquanto falava do assunto.
Pois é, muita gente não conhece a figura nem quando se fala em música, área na qual ele se cansou de ser pioneiro. Fiquei surpreso quando descobri que seu pioneirismo não se limitou à música.
Em 1989, no auge da hegemonia da industria musical, no lançamento da mídia digital, quando ninguém em sã consciência poderia prever a derrocada que vemos a indústria passar hoje, ele propos algo que o Sr. Jobs viria a lançar quase 15 anos depois. Em suas palavras, já na época:
“Consumidores de música gostam de consumir música, não pedaços de vinil embrulhados em pedaços de papelão.”
A entrevista vai embora enquanto ele explica como resolver o problema das cópias de vinil em fitas cassete (o MP3 da época) através de um sistema de venda de músicas por demanda através da TV a cabo (a internet da época).
É o tipo de idéia que provavelmente estava mais de um passo a frente de sua época, parecido com o que aconteceu com o Newton, da mesma Apple que mais tarde faria a idéia de Zappa engrenar.
E de inspiração, ficamos com um gostinho do gênio musical:
Koala














