Archive for novembro, 2009
A realidade nunca precisou de tanta inspiração

Se você parar para perceber, verá que os profissionais já estão saindo da faculdade defasados. Não porque novas tecnologias surgem todos os dias, nem por causa do excesso e velocidade da informação, nem por causa do mundo em constante transformação. Mas porque a adaptação vem ganhando mais espaço na faculdade do que a aptidão.
Na tentativa de atender às exigências do mercado, a escola e a faculdade acabam enchendo os alunos de medo, quando deveriam encher de coragem. O terror da concorrência, a velocidade com que as notícias ficam velhas, a idéia de que existe um certo entre infinitos “errados”, a culpa por tudo que falta fazer, a pressão de pais, professores e noticiários… Argumentos não faltam para o medo. Mas falta coragem e capacidade para enfrentar essa realidade.
No curso de Publicidade acho ainda mais grave. Já avisam no primeiro dia que “publicidade não é só criatividade”. Aí durante 4 anos ouvimos muitos outros avisos sobre o mercado: o tamanho da exigência, concorrência, as regras que um bom anúncio deve obedecer e aprendemos marketing como se fosse uma ciência exata. Quando vamos para o mercado de trabalho o que falta? Criatividade.
Porque conhecer cases de sucesso, estar avisado sobre a importância da diferenciação e criatividade não torna ninguém mais criativo. Criatividade não se aprende. Criatividade depende de estímulo, não de regras. Criatividade depende da capacidade de fazer associações, levantar questionamentos, desenvolver o senso crítico e cultivar a semente do inconformismo. Criatividade depende de ideais, sonhos e desejos que estimulam e norteiam.
Criatividade tem a ver com ousadia e depende da capacidade de duvidar quando alguém diz que algo não é possível, que é muito difícil, que não vai dar. Porque é isso que ouvimos no mercado o tempo todo. E a solução só vem quando duvidamos de tudo isso e buscamos provar o contrário.
Acredito que mais do que alertar, ensinar conceitos de marketing e técnicas de publicidade, a faculdade deveria propor aos alunos a desconstrução e o questionamento desses conceitos. Deveria resgatar os ideais, inspirar, questionar, dar ferramentas para sonhar e acreditar que é possível realizar. Especialmente quando, cada vez mais, os alunos enxergam na faculdade uma possibilidade para abrir ao invés fechar, para pensar ao invés de determinar.
Bárbara Bufrem
Sexta às 6
Queridos! Hoje o post é para divulgar e convidar a todos vocês para a vernissage do projeto que participei paralelamente ao meu trabalho na Co.R, durante esse mês. Venham todos, pois com muito prazer e satisfação encerramos a nossa convivência entre artistas e pensadores: e agora é o momento de dividir a “casa” com vocês:

Exposição Ateliê Aberto #1
Abertura dia 27/11, 6a feira, a partir das 18h.
Do 27/11 ao 11/12, aberto de 5ª à 2ª feira, das 14h às 20h em dias de semana e das 11h às 18h aos finais de semana.
Entrada franca.
Após um mês de trabalho intenso, a Casa Tomada abrirá as portas para a exposição do primeiro Ateliê Aberto, programa temporal de intercâmbio e convivência para artistas. Esta primeira edição contou com a orientação de Sérgio Basbaum, artista e pesquisador, além de encontros realizados com pessoas do circuito da arte como José Roberto Eliezer, Fernando Oliva e Arrigo Barnabé.
A exposição, que abrirá no próximo dia 27/11, apresentará os trabalhos dos artistas residentes juntamente com uma exposição que pretende abarcar todo o processo, com cardernos de artistas, imagens e áudios gravados durante o mês.
artistas:
Adelita Ahmad
Bruno Baptistelli
Deco Farkas
gUi Mohallem
Henrique César
Maíra Mesquita
Mari Poppovic
A Casa Tomada fica na
Rua Brás Cubas nº 335. Aclimação
São Paulo-SP
tel 11 25327455
www.casatomada.com.br
info@casatomada.com.br
Visitem nosso site! Visitem nossa casa!
Um beijo,
Lali
Chiclete com conteúdo
Adoro chiclete. E para mim (e para a maioria das pessoas, já que é a goma mais vendida no mundo), o melhor deles é Trident. E fiquei super animada com a edição especial nova deles, a Global Connections.
Usar o chiclete para trazer conteúdo e experiências novas faz com que o sabor do chiclete fique ainda mais gostoso!Mariana
Falar de Lingerie é muito bom!
Hoje é a abertura da primeira loja da Loungerie Intimates. Uma nova marca de lingerie e loungewear que abre as portas no (também novo) shopping Vila Olímpia e que a CO.R teve o prazer de participar de todas as etapas do start up dessa nova marca! É um privilégio e estamos todos muito orgulhosos!
Há quase um ano atrás, começamos do começo mesmo: com a identificação do target e oportunidades nesse mercado, a criação de um conceito poderoso e verdadeiro para a mulher brasileira, para depois passar para o teste de conceito e produtos antes de chegar na etapa final e pensar a marca realmente ganhando vida, com a abertura da loja.
Como aprendemos durante o projeto, falar de lingerie é muito bom. Basta começar que a gente não pára mais. É contagiante e faz a gente se repensar automaticamente, sobre o que usamos hoje, nossas últimas compras, o estilo de cada uma, etc..
Hoje é dia de comemorar, pois o que no início foi um sonho de poucos visionários, agora é realidade para todos. Convidamos vocês a irem conhecer a loja!
Equipe (feminina) da CO.R
LEMBRETE: Roupa nova para Caboré’09
A CO.R é uma empresa que tem co-criatividade na veia. E nada melhor que a criatividade de vocês para nos ajudar! Precisamos de um figurino novo para desfilar na premiação do Caboré.

O briefing é: preencha o “O” da CO.R. Simples. Entre no site para conhecer os nossos logos. Usem a cabecinha criativa de vocês. Vale tudo! Se quiserem saber mais sobre nós, é só vasculhar nosso site e nosso blog.
Os jurados somos todos nós, pessoas da CO.R, e vamos eleger uma nova versão do logo que irá nos representar no dia da premiação do Caboré deste ano!
Se o seu logo for o escolhido, você vai com a gente no Caboré! É isso mesmo. O ganhador desse concurso vai sentar na nossa disputadíssima mesa na festa da premiação do Caboré, no dia 7 de dezembro de 2009.
Baixe aqui o arquivo base para o logo que vocês vão criar.
As propostas terão que ser enviadas para rafael@corinovacao.com.br em formato JPEG, na resolução 1024 x 768. O prazo foi prorrogado para o dia 27 de novembro de 2009 (até a meia-noite!). Não esqueça de especificar em cada proposta enviada nome, idade, curso, faculdade e semestre atual do autor. É um concurso só para estudantes universitários, e cada participante pode enviar até 3 propostas.
Boa sorte a todos! E votem na CO.R!
Equipe CO.R
Outras observações:
* O convite é por nossa conta! Ao participar deste concurso, o ganhador se compromete a estar aqui na CO.R às 18hs do dia 7 de dezembro de 2009.
** Só serão avaliadas as propostas enviadas para o email especificado acima dentro do prazo solicitado.
***Dúvidas? Mande um email para rafael@corinovacao.com.br
Fashion Mob – A Mobilização pela Moda
A Casa de Criadores, evento que há treze anos se consolidou lançando novos estilistas no mercado da moda brasileira, inovou e apresentou a primeira edição do Fashion Mob, um concurso sob o formato desfile passeata que aconteceu ontem no centro de São Paulo.
Como se fosse uma expansão das passarelas, o Fashion Mob foi uma oportunidade para quem queria mostrar o seu trabalho em três categorias: manifestação artística, manifestação política ou manifestação de moda.
A passeata fashion foi do Largo do Arouche até o Parque da Luz e contou com 54 equipes participantes que foram avaliadas por um júri composto por estilistas e jornalistas especializados em moda.
Teve de tudo, estilistas acompanhados de modelos vestindo suas criações, blogueiros manifestantes e até um divertido bloco de anãs que anunciavam o nome da marca: “A moda está em baixa”.


O vencedor, foi o estilista Luiz Leite com sua coleção “Adeus São Paulo” que levou de prêmio a oportunidade de apresentar sua coleção na próxima edição da Casa de Criadores.
O evento, além de divertido, chamou a atenção pelo seu caráter democrático: livre pra quem queria se apresentar, livre na questão do quê mostrar e livre pra quem queria assistir.
Vanessa Y
Encontro com o ídolo
Em uma vivência para esse projeto de leitura infantil (que o Rafa comentou ontem), uma mãe descreveu o encanto e intimidade do filho de 9 anos ao conhecer um dos autores que costuma ler em um evento promovido pela escola. A mãe estava impressionada porque, mesmo o filho sendo tímido, chegou para conversar com o autor como se fosse um amigo íntimo. Domingo vai ser a minha vez de encontrar minha autora favorita:

Sou apaixonada pela Lygia Fagundes Telles. Li um livro seu pela primeira vez no colégio: Ciranda de Pedra. Chorei. Muito. De soluçar. Depois li mais alguns outros dela e resolvi reler o primeiro. Chorei muito, de soluçar - de novo. Acho que foi um dos romances que mais tocaram a minha vida. E a Lygia tem um jeito de escrever delicioso de ler! Quando cheguei em São Paulo, li As Horas Nuas, outra obra-prima. Ela narra em primeira pessoa a história de uma atriz excêntrica e decadente que conta sua visão sobre o que aconteceu na sua vida – sempre entre um gole e outro. E o jeito de escrever transmite essa sensação de forma apaixonante!
Depois de ler a biografia do Freud e saber que ele se correspondia por cartas com admiradores, recebia na sua casa, fiquei absolutamente frustrada por não ter nascido a tempo de ter esse privilégio. Mesmo que fosse para ficar quietinha, só ouvindo o que ele tinha a dizer.
Quando terminei de ler As Horas Nuas e percebi que ainda posso ter o privilégio de conhecer a Lygia, fiquei alucinada para conhecê-la! Até fiz algumas tentativas através nem lembro de quem. Imagine só poder ficar quietinha, só ouvindo o que essa mulher maravilhosa tem a dizer?! Domingo isso vai acontecer.
Bárbara Bufrem
O mundo mágico da internet infantil
Estamos, pela primeira vez, realizando um projeto com o público infantil. Antes que nos atirem pedras, a causa é nobre: incentivo à leitura! Está sendo um enorme aprendizado falar com tanta gente sobre comportamento infantil, principalmente com as crianças. A visão delas é tão original sobre tudo que as vezes a gente demora para entender o cenário do mundo delas.
É engraçado ver a relação deles com a internet e com o computador. O primeiro fato é: eles se cansam. Não aguentam mais que uma hora na frente da telinha. É chato, tem opção demais, e poucas vêem a rede além dos joguinhos. O mouse naturalmente vira uma extensão dos dedos, e o teclado começa a ser desvendado aos poucos. Para elas, navegar por “abas” não faz sentido. É aqui, é agora, é hiperlink. Para elas, URL não é nada, banners são tudo. E não adianta chorar por audiência online: as crianças preferem TV.
O mais interessante mesmo é quando elas “brincam” nas redes sociais, seja Orkut ou Club Penguin. A relação delas entre si na internet é tão lúdica quanto real. Ainda que brinquem com seus avatares da maneira mais pueril possível, existem uma relação forte de compromisso com o que ela cria e realiza no mundo online. Isso não é nada novo pra você, mas é muito revelador assistir essa relação nascer na criança.
Hoje, enxergamos a internet e o mundo virtual como separados do real, um mundo do qual precisamos nos abster, nos policiar e não deixarmos nos levar por impulsos prolongados da nossa vontade de se comunicar. Para essas crianças, não. A internet é real. Para elas, o que acontece ali, é real e verdade. Os personagens prediletos delas têm várias casas, e uma delas é lá, na telinha. Elas são muito mais transmedia que você e eu. A nossa geração revolucionária já tem filhos, e eles vão trazer muitas outras (r)evoluções.
Rafael Lavor
Gashapons
Além dos prédios grandiosos, dos kanjis luminosos e dos impressionantes templos budistas e xintoístas, em todos os cantos do Japão é possível se encontrar…. Gashapons! Gashapons são máquinas que oferecem, em troca de algumas moedas de ienes, bonequinhos de plástico. O nome surgiu de duas onomatopéias: gasha é o barulho do giro da alavanca e pon o barulho da cápsula do brinquedo que cai. Geralmente são personagens de videogames ou de anime, coloridos e cheios de detalhes. Cada máquina tem um tema e, por serem brinquedos colecionáveis, os gashapons viraram uma grande febre no Japão desde os anos 90.
Adultos e crianças procuram máquinas pela cidade, gastam muitas moedas e se desesperam atrás de raridades. Agora existe em Tóquio até um mercado paralelo que vende coleções completas para aqueles que não conseguem mais esperar por um boneco específico e que estão dispostos a pagar um preço bem mais alto por ele.
Posso dizer que os gashapons são viciantes! O problema é trazer vários para presentear os amigos e no final das contas querer todos na estante da sua casa…
Maeda
A arte de descobrir novos significados

Somos apaixonados pelo case de Oi FM SP, muitos de vocês devem saber. Mas o mais encantador nesse projeto foi descobrir que, ao contrário do que imaginávamos, o meio rádio não estava obsoleto. Obsoleta estava apenas a forma de pensá-lo. Com novas tecnologias como o iPod, o rádio perdeu o sentido de trazer a novidade, mas descobrimos que poderia renovar seu significado através do conteúdo mais autoral, da experiência coletiva e da narração de histórias através da música.
O surgimento de uma nova mídia sempre provoca decretos apocalípticos sobre o fim de um meio antigo. Como se um excluísse o outro. Como se a capacidade de reinvenção não existisse e a produção de novos sentidos fosse finita. Foi decretado o desaparecimento do meio impresso por causa da TV, da TV por causa da internet e agora dizem que o e-mail vai ceder lugar ao Twitter.
Não sei os apocalípticos, mas eu continuo vendo TV, comprando livros, lendo revistas, sites, blogs, enviando e-mails e tweets.

Acredito que uma nova mídia representa novas formas, possibilidades e produz novos sentidos – sem necessariamente excluir outra. Mas é fascinante como o surgimento de uma mídia naturalmente acaba fazendo a revisão de todas as outras. E nós é que devemos descobrir quais são os novos significados e como fica a nova dinâmica.
É o que temos aprendido aqui na CO.R, especialmente em relação a mídias digitais, que nascem com um propósito, mas o usuário é quem dá a elas significado e função reais. (Como é o caso do Twitter, que nasceu com a função de compartilhar o que o usuário está fazendo e tornou-se um meio de compartilhar informações com quem confiamos.)
Acho que isso acontece porque antes o surgimento de uma nova mídia era um evento em si – a mídia era a novidade, o acontecimento. Hoje prevalece a relevância do conteúdo, não da mídia. E cada vez mais estamos imersos no império da novidade, mas também do conteúdo. Antes de julgar que algo vai deixar de existir, é bom investigar se já não possui um novo sentido ou se existe uma oportunidade para reinventá-lo.
Bárbara Bufrem














