Archive for outubro, 2009
Miranda July
Miranda July é uma de nossas artistas prediletas de todos os tempos.Talvez vocês se lembrem do único filme de longa metragem que ela fez em 2005 e que ganhou a Palm d’Or em Cannes, Me, You and Everyone we Know (Eu, Você e Todos que Conhecemos).
Ela vem de uma tradição de arte performática, escreve de forma distinta e encantadora (No One Belongs Here More than You, delicioso livro de contos), atua, colabora com outros artistas em várias formas e media. Learning to Love You More, projeto em parceria com Harell Fletcher na forma de um website que propunha tarefas como tirar uma foto dos pais dando um beijo na boca, passar um tempo com alguém que está morrendo, escrever a estória de sua vida em um dia e por ai afora, é fascinante e cativante como tudo que ela produz.

Esse poster que publicamos frente e verso hoje veio dentro de um envelope que contem 2 fronhas brancas (HERE YOU WILL DREAM OF ENDLESS KISSING e HERE YOU WILL DREAM OF PEOPLE YOU ADMIRE EXPOSING YOUR FRAUDULENCE) e um livreto com uma entrevista.
Nós amamos a artista profundamente e estamos certos que, depois de vocês checarem o website dela e se familiarizarem com suas artimanhas, se apaixonarão da mesma forma.
Divirtam-se!
Vado Mesquita
No Discipline
Eu li numa revista que o MOMA de Nova York vai receber a exposição do trabalho do Ron Arad, chamada “No Discipline”, que eu tive o prazer de ver em Paris. Ron Arad é uma daquelas personalidades difíceis de se descrever/rotular: as vezes me refiro a ele como arquiteto, design e as vezes porque não, artista plástico.
Ele começou sua carreira em Israel (sua terra natal) como arquiteto, mas ele realmente ganhou projeção como design industrial. E a exposição é uma viagem por esses mundos que ele soube trabalhar tão bem. É um delírio visual até para os menos iniciados nessa área, como eu.
O trabalho dele ao mesmo tempo que esbarra das artes plásticas, pela beleza, originalidade das formas e também materiais como o acrílico que ele usa e abusa nas peças, dá uma vontade enorme de ter essas peças em casa.

É dele a estante mundialmente copiada, a “Worm Shelf” que tem uma forma orgânica muito bacana, e também a Rover Chair, a qual a primeira peça foi produzida com um banco real de uma Land Rover.

Mas meu sonho de consumo agora é mesmo uma das cadeiras da linha Void Chair, que de tão bonitas e coloridas parecem um bombom! Mas só me resta me contentar com o que me disse meu amigo João saindo da exposição: “Ih, relaxa Fê. Daqui há pouco ta na Tok Stok!”

Propaganda de inseticida no divã
Minha paixão por psicanálise é tão grande quanto minha fobia de todo o filo artrópode (insetos, aracnídeos etc.). Tenho pânico e alergia à maioria deles. Se encontro um, a paranóia se instala: passo a inspecionar tudo com medo de encontrar outro. Entretanto, NUNCA comprei qualquer tipo de inseticida.
Ano passado, quando fiz o curso Bootcamp na Miami Ad School, realizamos um trabalho para uma marca de inseticidas. O target da campanha seria o feminino e, de acordo com o briefing, quanto maior o medo, maior a abertura para o uso de venenos mais agressivos. O briefing mais do que me convenceu, fiquei eufórica! Mas por que durante todos esses anos de pânico nunca passou pela minha cabeça a idéia de comprar inseticida?!

Conversei com a psicanalista (Madalena Becker de Lima) para o trabalho e descobri que as mulheres têm maior fobia a baratas e aranhas por uma razão inconsciente. O problema é que a maioria das propagandas de inseticidas mostram os bichos na tentativa de vender o produto. Mas a última coisa que a maioria das mulheres (fóbicas ou não) querem é ter que olhar para uma barata – muito menos ampliada, certo?

Segundo a Psicanálise, a nossa mente tende a bloquear imagens desagradáveis como forma de rejeição. Por isso bloqueia a propaganda e, conseqüentemente, o produto anunciado.
Ou seja: a maioria das marcas querem vender proteção, mas acabam “vendendo” o medo.
E os números confirmam: o inseticida que mais vende hoje é o único que não mostra bicho algum. Não digo que esse seja o único motivo, conheço pouco esse mercado. Mas não acho que seja apenas coincidência.
Bárbara Bufrem
A antropologia da moda

Vertigem
Assim que eu vi o pôster de divulgação da 33a Mostra Internacional de Cinema (que por sinal começa hoje) ilustrado pelos “Gêmeos” fiquei com muita vontade de escrever sobre esses dois grafiteiros que sou muito fã, e que todos conhecem ou já ouviram falar.
*Vale a pena conferir a programação da Mostra.
No dia 24 deste mês começa uma nova exposição d’Os Gêmeos chamada ‘Vertigem’ aqui em São Paulo. Essa exposição já aconteceu no Rio e em Curitiba, mas parece que teremos novidades exclusivas aqui. Oba!!
A mostra estará no Museu de Arte Brasileira da FAAP e está repleta de obras que traduzem o sensível e único olhar da dupla sobre o cotidiano brasileiro, da periferia ao folclore nordestino, em imagens que muitas vezes parecem inspiradas em sonhos e outras que retratam a realidade brasileira. Sempre com muitas cores alegres e cheia de detalhes.
Algumas obras que estarão na exposição:
Para quem não os conhece muito bem, Os gêmeos - Otávio e Gustavo Pandolfo, começaram a grafitar no final dos anos 80 no bairro Cambuci onde nasceram. Eles são pioneiros no cenário nacional do grafite e têm relacionado suas técnicas com instalações, pinturas e esculturas. Esses dois artistas trabalham com diversos temas desde o retrato do povo brasileiro até criticas sociais e políticas, e imagens surrealistas.
Eles têm muros grafitados nos quatro cantos do planeta - EUA, Austrália, Alemanha, Portugal , Itália, Grécia, Espanha, China, Japão, Cuba, Chile e Argentina. Quem quiser ver mais instalações e os muros grafitados pela dupla ao redor do mundo, entre no Flickr (http://www.flickr.com/groups/osgemeos/), lá tem várias fotografias que seus fãs tiraram quando estavam em passagem pelas cidades.
Estou ansiosa para a exposição!!!
Marília
O valor da autenticidade

(flickr)
Um rabino estava no leito de morte quando um de seus discípulos perguntou por que ele parecia tão inquieto. O rabino respondeu temer o tribunal celeste. Surpreso o discípulo questionou: “Mas rab, justo o senhor que fora sempre tão justo e misericordioso?! O que tens a temer?“. O rabino Sussya respondeu: “Não temo ser indagado sobre o motivo pelo qual não deixei um legado como o de Moisés. A resposta seria simples: Porque não sou Moisés. Meu temor é que me perguntem: Sussya, por que não fostes Sussya?’”
Na peça Alma Imoral, baseada no livro do rabino Nilton Bonder, a atriz Clarice Niskier conta muitas histórias que podem ser repetidas se a platéia assim desejar. Li em uma entrevista com a atriz que a parábola acima é a campeã de pedidos.
Saí do teatro me questionando se o valor autenticidade fez sempre tanto sucesso na nossa sociedade ou se nos últimos 5-6 anos realmente ele cresceu e roubou a cena… porque agora eu tenho uma coleção de episódios, pessoais e profissionais, envolvendo essa tal de ‘verdade ou fidelidade a si mesmo’.
Lembro-me que uma das primeiras vezes que me deparei com o tema foi no começo do sucesso de Antarctica Original. Em diversos grupos de pesquisa, escutávamos as pessoas dizendo que o legal era que a embalagem parecia de pinga, bem tosca mesmo, mas Original não estava nem aí, porque ali estava sua verdade e ela não precisava seguir modismos para ser aceita.
Depois disso, quantas vezes não me vi em uma sala (de grupo ou de cliente) discutindo a questão de ser autêntico. E, hoje mesmo, estou participando de um projeto aqui na CO.R em que as pessoas demandam a verdade da marca que foi perdida com o tempo.
Isso tudo me faz pensar que antes de ser honesta com o outro, é preciso ser honesto consigo mesmo. Até mesmo no mundo das marcas.
Mariane
Lindo Povo Brasileiro - Vanda do Recife
De volta ao meu amado centro da cidade de São Paulo, depois de quase 2 décadas de vida do outro lado das turbulentas águas atlânticas e tendo que matar 1 ou 2 horinhas a espera do meu novo R.G., me vi na feirinha de artesanato da Praça da Sé. Lindas rendas nordestinas, bijouterias de gosto duvidoso, vestidinhos de meninas bordados de forma doce e colorida, barraca do Peruano que eu havia conhecido na véspera na Praça João Mendes quando, de repente, topo com uma barracaa de sandálias e tamancos que me chamaram a atenção por sua óbvia originalidade e formas distintas.
Me encantei com as sándalias, que estavam mais para calçados de estilista famoso do que para as sandálias de couro fedorentas que eu usava quando adolescente. Quando Vanda, a artesã recifence responsável por elas me explicou de onde as ideias vinham, então, me apaixonei completamente por ela, seu trabalho, inteligência e simpatia. Cada sandália havia nascido de uma pesquisa histórica. Uma do tempo de Jesus Cristo, outra do Egito dos faraós, gregos, romanos, etruscos, assírios e por aí vai.
Sentei ao lado dela e as 2 horinhas que eu precisava matar a espera da nossa burocracia eficiente a poupar o meu tempo se transmutaram em uma deliciosa tarde inteira de sombras frescas, tempo ameno, bate papo gostoso e inspirador.
Ela já foi super vendedora premiada de vinhos e champagnes finos franceses com direito à férias no Chateau chafurdada em mordomias, Paris, Europa et all. Viajou por tudo que é canto, teve grana, ajudou a família, construiu casa pra todo mundo em Recife, encontrando apenas ingratidão de volta. Não sente amargura ou rancor, me dando uma linda lição de dignidade, amor e generosidade de espírito muito raras e necessitadas nos dias de hoje. Alma criativa e mão destra, está a aprender a ser protética pensando num futuro mais tranquilo e estável se comparado com vender artesanato no centro de São Paulo.
Voltei pra casa encantado com o encontro e muito feliz em comprovar o que já sentia: o grande tesouro com o qual fomos abençoados não são as belezas ou recursos naturais, potencial de ser potência mundial num futuro não muito distante, nossa música ou cultura. Nossa grande e maior riqueza é o nosso povo lá do alto da sua generosidade, diversidade, beleza, criatividade, instinto de sobrevivência, abertura, curiosidade.
Penso que somos um pouco como vira-latas, resultado da mistura de um pouco de tudo.
Salve o lindo povo brasileiro!!
Vado
P.S. A Vanda já teve suas ideias e pesquisas apropriadas indevidamente e exploradas por outros mais de uma vez no passado. Escaldada que está, quando perguntei como se sentia a respeito de publicarmos algumas imagens por aqui, ela me pediu que eu escrevesse e dirigisse as pessoas a Praca da República, onde ela está todos os domingos, faça chuva ou faça sol. Todos a Praça da Republica, então! As sandálias da Vanda do Recife são maravilhosas. Outras deliciosas e inspirantes surpresas certamente se escondem por lá, entre os excessos sem os quais não haveria muita graça, só a espera de serem descobertas e usufruidas, divididas.
Casa Tomada
O post de hoje para mim é especial. Porque além de divulgar um projeto legal, estou muito feliz por participar dele. Uns dois meses atrás recebi um telefonema de duas amigas me chamando para um projeto. Não me explicaram pelo telefone - mas sempre acreditei muito em todas as coisas que tem as mãozinhas delas (Tetê Farkas e Tainá Azeredo) e logo topei, assim, de olhos fechados.

Marcamos um café. Elas estavam todas animadas me explicando:
“É um projeto chamado Casa Tomada. Estamos chamando 7 artistas de áreas diferentes (cenografia, animação, fotografia, moda, performance, multimeios, instalação) para “tomarem” durante um mês uma casa na Aclimação. Lá dentro tudo será permitido. Discussões de texto, convergência entre artes e muita produção. O resultado disso será exposto no final do mês, quando abriremos a casa para o público. É um formato de residência artística - porém todo mundo trabalha junto.”
Claro que eu abracei a idéia, e demos início as nossas atividades na quinta feira. Está sendo uma experiência muito rica.
Além disso temos como interlocutor o Sergio Bausbaum (doutor em Comunicação e Semiótica da PUC, coordenador do bacharelado de tecnologia e artes digitais, artista bissexto, além de livros publicados) que sempre promove conversas afiadas sobre a arte, filosofia e vida. Sempre de uma maneira irreverente, com brilho nos olhos e muita sensibilidade.
Durante esse mês a CASA TOMADA oferecerá workshops interessantíssimos, com nomes como Arrigo Baranabé, Erika Verzutti, Lucio Agra e outros.
Cada artista tem um blog, onde postamos diariamente notícias da casa. Nos acompanhem! Fuxiquem o site:
Adelita, direto da casa!
A tendência do “Guetto Gourmet”

Se você é um daqueles que não agüenta mais esperar horas na fila do restaurante ou ainda, chegou a conclusão que eles acabam sendo todos iguais, você não está sozinho. Na verdade, você faz parte de um grupo de pessoas no mundo, que trocaram os jantares nos restaurantes por refeições servidas na casa do chef.
É o chamado Guetto Gourmet: as pessoas preferem apreciar um jantar em um ambiente mais tranqüilo, sem ostentação, mas com a mesma comida refinada. A maioria desses lugares não tem licença para funcionar, por isso não é possível fazer reservas simplesmente ligando. Geralmente eles só aceitam por indicações. Daí vem o nome: “speakeasies”, ou fale baixinho em português, uma referência aos locais que vendiam bebida alcoólica ilegalmente na década de 1920, durante a Depressão nos EUA.
Fiquei pensando em vários amigos que têm um dom especial para a cozinha que poderiam muito bem passar a cobrar por aqueles jantares maravilhosos que eles sempre oferecem. De certa maneira, é uma democratização da profissão e dá a chance a muita gente de fazer um test drive nessa nova carreira.
Bom, aqui em São Paulo, já me falaram de 2 “speakeasies”: um de culinária baiana e outra mexicana (que eu adoro!). Já estou tentando conseguir uma reserva e testar se essa fórmula dá certo ou não! Depois eu conto.
Bon Appétite!
Fernanda
